Relacionamento à distância…

Relacionamentos à distância são muito complicados e desgastantes. Muitos casais não conseguem se relacionar dessa maneira, e acabam desistindo. Confesso que eu não acreditava que pudesse dar certo um relacionamento à distância, mas a vida me mostrou que quando não temos opções, a gente arruma um jeito para que dê certo. Eu namoro a quase 8 anos, mas a 2 anos o meu relacionamento tornou-se a distância. Eu fazendo o Mestrado num determinado estado e ele conseguiu um emprego numa indústria em outro estado extremamente distante, do outro lado do país. Quando recebemos a notícia que ele havia sido contratado, foi uma mistura de sentimentos. Primeiro fiquei feliz por ele ter conquistado uma vaga tão importante para a carreira profissional dele, mas por outro lado um desespero enorme, por saber que nosso convívio não seria mais o mesmo. Pra completar, a cidade que ele foi trabalhar tem uma das passagens aéreas mais caras do Brasil. Dessa maneira, só conseguíamos nos ver de 2 em 2 meses…

O começo foi o mais complicado, acostumar com a ausência dele todo final de semana era bem assustador. O que me ajudou a aguentar tudo aquilo, foi o fato de que eu sou muito próxima dos meus pais, e minha mãe é minha amiga do peito. Então os finais de semana eram preenchidos com muitas saídas com minha mãe. Mas claro, entender que só nos veríamos de 2 em 2 meses era bem complicado, e o que mais machucava era a ausência dele em momentos especiais, como o dia das fotos de formatura (graduação), da qualificação do Mestrado e outros. A maior parte das comemorações nós passávamos longe um do outro, e isso tornava tudo muito mais difícil.

Claro, muitas surpresas também ocorriam, como a vinda dele em dias inesperados. Nós sempre nos demos muito bem, e sempre que nos encontrávamos toda a mágoa da ausência, a tristeza da distância, eram esquecidas e nós aproveitávamos cada segundo juntos, pois de uma forma tão rápida, já era o momento da tão temida e dolorosa despedida. DESPEDIDA? Ah como eu detesto essa palavra e esse momento. Nosso relacionamento ficou marcado pelas dolorosas despedidas. Não era fácil, não mesmo. Mas o que podíamos fazer? Ambos precisavam adquirir crescimento profissional…

Já se passaram 2 anos e meio que ele está lá, e a cada dia uma incerteza do futuro da nossa relação. Nosso maior sonho é conquistarmos vagas de emprego em estados próximos, ou até numa mesma cidade. Mas infelizmente adquirir um emprego nos dias de hoje já está tão difícil, imagina ainda necessitarmos adquirir em locais próximos? Infelizmente vivemos dependentes da vida profissional, dependemos de emprego, de conquistas profissionais. Entretanto, nós já estamos exaustos de viver distantes dessa maneira, e logo teremos que tomar nossas decisões para definirmos nosso futuro.

Pra você que namora a distância, uma dica, não perca o contato com seu namorado/namorada nunca, estejam sempre se falando, sempre compartilhando as alegrias e tristezas que cada um esteja vivendo. Tentem assistir séries ou filmes, mesmo estando distantes, acredito ser uma ótima oportunidade para estarem compartilhando idéias. Além disso, um relacionamento sempre precisa ter um equilíbrio de ambas as partes, ou seja, não adianta apenas uma pessoa buscar estar próxima se o outro não fizer esforço para isso. Um relacionamento sem equilíbrio não tem como dar certo.

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Qualificação

Após muitos meses difíceis, de muita leitura, estudo, escrita e experimentos, o dia tão esperado chegou: o dia da apresentação, a QUALIFICAÇÃO. O dia amanheceu lindo, e minha mãe estava comigo, me apoiando e me dando força. A apresentação foi realizada da melhor maneira que eu poderia imaginar, não gaguejei e nem tive um súbito ‘branco’ sobre determinado assunto. Após a apresentação, recebi elogios de colegas e dos membros da banca avaliadora, enchendo o meu coração de gratidão e alegria.

Após a apresentação, foi realizada a etapa de arguição pela banca avaliadora. Muitas e muuuuuitas perguntas, mas ao final tudo ocorreu bem e eu consegui defender meu projeto. Ao final, a frase tão esperada foi dita pela minha orientadora: a aluna está aprovada no exame de qualificação. A partir daí, era só alegria e sentimento de dever cumprido. Tudo o que eu mais desejava era deitar e descansar. Mas claro, não muito, pois minha orientadora já queria conversar na semana seguinte sobre os próximos experimentos.

É, vida de aluno bolsista (mestrando, doutorando) não é nada fácil…Já ouvi pessoas falarem que receber bolsa apenas para estudar é muito tranquilo. Mas é como eu sempre digo: quem está de fora, é muito fácil falar, mas só quem vive mesmo, sabe como é. A bolsa de Mestrado quase não da para o aluno se sustentar, temos que estudar (ler artigos e mais artigos, escrever a tese) e trabalhar ao mesmo tempo. Além disso, realizamos muitos e muitos experimentos no laboratório, e em vários momentos necessitamos ficar até tarde da noite ou até mesmo ir aos finais de semana/feriados à universidade. E claro, depender de ônibus não é NADA legal, principalmente em feriados e finais de semana. Adicionalmente, é muito difícil um aluno de pós-graduação bolsista conseguir fazer algo extra para aumentar a renda, pois não sobra tempo e nem disposição. É, eu só tenho que bater palmas pra galera da pós-graduação de universidades públicas, principalmente da área biológica/bioquímica/biotecnológica, pois hoje eu vejo e vivo esta realidade tão complexa e tão desgastante. E você deve estar se perguntando, mas pq os alunos bolsistas continuam? E eu te digo, o AMOR pela pesquisa é o que nos move, é o que nos faz continuar e acreditar que dias melhores virão.

 

Preparo para a qualificação …

Após o casamento de meu irmão, a vida no Mestrado estava a todo vapor. Muitos experimentos deveriam ser realizados, e claro, muitos resultados positivos deveriam ser obtidos.

Os resultados iniciais não correspondiam ao esperado (ao que foi obtido por outra aluna), e dessa maneira, passei por momentos de grande tensão nas reuniões com minha orientadora. Em vários momentos eu imaginei que o que poderia estar prejudicando os experimentos fosse uma modificação que a própria orientadora havia proposto. Entretanto, para ela o único problema era quem estava realizando os experimentos, no caso, EU.

Foram reuniões e mais reuniões tensas, onde todo o meu entusiasmo pela pesquisa foi perdido. Trabalhava aos finais de semana e durante a semana, escrevia e lia artigos nos intervalos. Não importava se eu estava extremamente estressada, com cansaço físico e mental, apenas o que importava era a obtenção do tão esperado resultado. Em vários momentos saí da faculdade chorando, por ouvir palavras duras e/ou por não ter força física e mental para refazer tudo novamente. Em um certo momento meus pais chegaram a conclusão de que o Mestrado estava a ponto de me tornar uma pessoa depressiva.

Numa certa sexta-feira, cheguei na minha cidade para visitar meus pais. Neste dia estava abatida, devido a semana difícil de intensas grosserias da parte da minha orientadora e de intenso trabalho. Neste dia, meus pais sentaram comigo e fizeram questão de dizer que era notável a minha tristeza e que se eu quisesse, eu poderia largar o Mestrado, pois eles me dariam total apoio e suporte. Neste momento caí em lágrimas, e ao mesmo tempo que eu sentia um alívio por ouvir aquilo, me batia um certo medo, pois eu sabia que o Mestrado era muito importante para minha carreira profissional. Neste final de semana, decidi que iria continuar, mas que tentaria ser mais forte…

Retornando a universidade, continuei realizando os experimentos para a obtenção do tão esperado resultado, até que finalmente a minha orientadora entendeu o fato de que o problema não era eu, mas sim, a modificação que ela mesma tinha proposto para os experimentos. A partir daí, as coisas começaram a andar e a relação com minha orientadora começou a melhorar.

Após alguns meses de experimentos, era necessário iniciar a correção da escrita para a realização do exame de qualificação. E novamente, os momentos difíceis retornaram. Semanas atrás de semanas ao encontro de minha orientadora para a correção da escrita. A cada encontro, uma notícia negativa, críticas e grosserias. Em vários momentos acreditei que não daria conta, acreditei que não conseguiria…

O ano seguinte …

O ano seguinte ao início do meu Mestrado iniciou-se de forma extremamente emocionante, o casamento do meu grande e querido irmão. Eu e meu namorado fomos agraciados com o convite para sermos padrinhos, e pudemos vivenciar um momento tão especial para um casal tão querido.

Eu sempre costumo dizer que numa cerimônia de casamento, o momento mais emocionante é quando o noivo olha casamento-rustico-chique-mesa-de-doces-andrea-e-leonardo-foto-Pinnola-Fotografiapara a noiva pela primeira vez… A reação de ambos, mas principalmente do noivo, é o momento mais aguardado por mim.

Neste casamento, pude observar a reação do noivo ao avistar a noiva, e foi tão lindo…Lágrimas escorreram no rosto de meu irmão, seguido de um choro de criança…E claro, eu observando esse momento tão especial, chorei junto, admirei junto…

Cerimônia linda, acontecimento inesquecível. São nesses momentos que percebemos que todo o esforço para conquistar dinheiro, conquistar um emprego importante, são válidos para que acontecimentos assim possam ser realizados da maneira que sonhamos. Estar próximo de quem amamos, torna a vida completa. Uma frase que carrego sempre comigo e que concordo completamente: ‘a vida só é completa quando partilhada’.

 

 

Primeiro semestre no Mestrado !!

Os primeiros meses na pós-graduação foram desgastantes. Matérias complexas, de temas que não tive a oportunidade de conhecer durante a graduação, necessidade de frequentar o laboratório, aprender experimentos, e me acostumar com uma rotina nova.  Novas pessoas, nova cidade, nova universidade, novo presente. Toda essa rotina proporcionou maior cansaço, perda de peso e grande queda de cabelo …

Foram meses difíceis, mas tornaram-se menos dolorosos após a notícia de aprovação em todas as disciplinas cursadas. Entretanto, eu mal sabia que meses piores e mais desgastantes ainda estavam por vir…

 

Ingressei no Mestrado !!

Numa sexta-feira, eu estava a caminho da universidade para realizar a apresentação do meu trabalho de conclusão de curso (tcc). Na estrada, enquanto minha mãe dirigia, eu recebi uma mensagem de um colega me parabenizando pela conquista de ingressar no programa de pós-graduação. Minha felicidade era enorme, mas ao mesmo tempo precisava manter a concentração e seriedade para a apresentação do meu tcc.

Minha apresentação ocorreu da melhor maneira possível, recebi elogios calorosos do meu orientador, e ao final do dia havia conquistado a sensação única de dever cumprido. Neste dia, não pude aproveitar como gostaria devido ao enorme cansaço, mas o final de semana foi extremamente especial, onde pude comemorar com minha família. Ah, antes que eu me esqueça, pude comemorar com minha família, mas não com meu namorado. Meu namorado de longa data (7 anos), se mudou para outra cidade bem longe para trabalhar, e desde então nos vemos de 2 em 2 meses.

Pouco tempo depois pude descobrir que o início das aulas da pós-graduação seria praticamente no mesmo mês que havia apresentado o tcc e finalizado a graduação. Neste momento, senti um certo desespero, pois estava extremamente cansada após 4 anos intensos de graduação. Entretanto, respirei fundo e iniciei as aulas na pós-graduação, mais especificamente, no mestrado…

E aí começaram novos desafios …